quarta-feira, 12 de abril de 2017

SAL da terra? O que é isso?

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens (Mt 5.13).

Essas contundentes palavras de Jesus muitas vezes têm sido interpretadas erroneamente por uma grande maioria dentro da igreja. Jesus disse isso aos seus seguidores, não com o objetivo de estabelecer apenas uma metáfora superficial, mas sim para conscientizá-los do devido “peso” da decisão de segui-lo.

O sal, no contexto judaico, tinha um significado muito profundo. Além das características naturais, como conservante e tempero, o sal na cultura judaica antiga fazia parte de um simbolismo todo especial. Em um nível social, comer sal com alguém representava compartilhar de sua hospitalidade, atribuindo a ele sua subsistência. Mais profundo ainda é o fato de que qualquer um que compartilhasse do sal de seu anfitrião tinha a obrigação moral de cuidar de seus interesses.

O sal tinha uma relação direta com o ritual mais importante no relacionamento daquele povo com Deus, a oferta. Em Lv 2.13, Deus estabelece que toda oferta deveria ser temperada com sal antes de ser oferecida, o que caracterizava um pacto incorrupto, que não se podia violar. 

Assim sendo, além da preservação da carne e da adição do sabor, o sal lembrava o povo de Israel de sua aliança imutável e eterna com o grande “Eu sou”. A partir daí surge a chamada aliança de sal (Nm 18.19) que caracterizava uma aliança inquebrável e irrevogável. Isso nos revela uma verdade importantíssima a respeito desse simbolismo bíblico. Quando um judeu se referia ao sal, ele não se referia apenas a um tempero comum. Assim, Jesus não estava apenas fazendo uma comparação vazia, mas queria passar uma mensagem.

Nós somos o sal da terra, o povo que reflete a aliança do Altíssimo com a humanidade. Nossa salvação se baseia em uma aliança eterna, inquebrável e irrevogável, que deve ser manifestada em nós e através de nós.

O sal salga por natureza. Não é preciso um incentivo, um experimento científico ou uma mistura com outro condimento. Sua natureza é salgada, sua tendência é salgar. 
Da mesma forma, nossa natureza reflete a aliança com o Todo-Poderoso e nossa tendência constante deve ser a de temperar o mundo e proclamar a aliança.

Mas o que fazer se tal aliança for violada? O que aconteceria se ela fosse simplesmente tratada com descaso? Qual seria o destino do sal insípido? A resposta de Jesus é direta: “Como restaurar ao sal o seu sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.”
A analogia é a seguinte: Uma vez banalizada a aliança, esta perde o seu valor, nem serve para o reino de Deus nem para o mundo.

A vida moderna tem desviado a igreja de seu verdadeiro propósito. Nossa fé tem se resumido à satisfação instantânea de nossos desejos. O cristianismo moderno tem mais a ver com mel do que com sal. Procura-se mais adoçar a vida do que salgar o mundo.

Valoriza-se mais a obtenção de bens que satisfaçam o ego do que demonstrar o valor da aliança. Inúmeras vezes ressaltamos o iminente castigo sobre aqueles que viram suas costas à mensagem da salvação, mas esquecemos do destino daqueles que devem salgar o mundo com tal mensagem, e negligenciam seu dever. Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens! Este é o destino daqueles que se esquivam do seu papel como discípulo. Será lançado à terra e misturado com o mundo. Deixará de fazer diferença e passará a ser confundido com o chão em que os ímpios pisam.

O mundo apodrece dia após dia, a sociedade sofre com a influência satânica que a permeia. E nossa função é salgar. É proclamar a aliança que temos com Deus. É deixar de nos corrompermos com o veneno da maledicência, da fofoca, do orgulho e do egoísmo, para impregnarmos o tempero de Cristo na vida das pessoas. 

É espalhar o bom perfume de Cristo em um mundo mal cheiroso. É proclamar cada vez mais alto a mensagem da cruz, ainda que por causa desta mensagem sejamos perseguidos. A vida cristã não se encerra no momento em que nos tornamos cristãos, ela começa nesse momento! Daí para frente temos o compromisso de ser sal.
"O Sal é bom, mas se ele perder o sabor como restaura-lo?, não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora" Lc 14:34


sábado, 8 de abril de 2017

Resultados através da REVOLTA

''Quando Ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do Altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, Santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?'' Apocalipse 6.9,10

A revolta é o combustível da fé que traz respostas. Sem ela não há mudanças, não há milagres, não há a manifestação do Poder de Deus. Só quando há revolta é que os céus se movem a nosso favor, pois ela nos leva ao desafio, ao tudo ou nada, à vida ou a morte.

Deus não se manifesta enquanto houver passividade, resignação, conformismo. Fé sem revolta é o mesmo que comida sem sal, é sol sem luz, noite sem estrelas.

Essas almas que estavam debaixo do Trono são os salvos, porém estavam revoltadas, cansadas de esperar, pois quem é realmente salvo não aceita o fracasso, a vergonha. Aqueles que estão salvos querem ver a Justiça Divina, e por isso não apenas clamavam, mas levantavam um grande grito. Elas queriam justiça, não aceitavam mais ficar esperando.

Até quando? Essa é a pergunta que nós que servimos a Deus temos que fazer, pois a quem realmente servimos? Se é a esse Deus Altíssimo, então onde estão Suas maravilhas, Seus feitos gloriosos? Até quando teremos que esperar? Até quando nosso sangue e dores não serão julgados?


Ninguém vai mudar de vida nem sua situação porque é bonzinho, porque é pastor, membro de uma igreja, não!!! A mudança só vem quando existe uma revolta verdadeira, aquela que me leva ao Trono do Todo-Poderoso e me faz derramar sangue, sacrifício, para requerer e cobrar uma mudança.